segunda-feira, 29 de março de 2021

16. HÃO DE ACONTECER: JULGAMENTO E CONSEQUÊNCIAS

“Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e livros foram abertos. Outro livro foi aberto, o Livro da Vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros” (Apocalipse 20.12). 

Os livros que serão abertos no julgamento de Deus contêm o que os seres humanos têm feito em sua vida terrena; o outro livro aberto, o Livro da Vida, registra o nome dos salvos por Cristo. 

Este é um texto bastante diversificado. Apocalipse 19.5-21 e o capítulo 20 é um texto bíblico que aborda uma meia dúzia de temas diferentes, todos ligados ao Juízo Final de Deus sobre a humanidade. Vamos aos temas.

Uma voz surge do trono, conclamando os servos de Deus, tanto pequenos como grandes, a louvarem ao Criador. Uma grande multidão então bradou: “Aleluia, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro”. O verso termina dizendo que o linho fino representa os atos justos dos santos. Em muitos momentos, a Igreja é chamada no Novo Testamento de “a noiva de Cristo”. Chegou finalmente o momento do casamento, ou seja, da junção de Cristo com os seus seguidores, no grande banquete do casamento do Cordeiro, para felicidade dos convidados. A parábola contada por Jesus diz que, entre dez virgens, cinco entraram porque suas lamparinas tinham azeite, e cinco perderam a festa. Você, cristão, tem procurado manter sua lamparina acesa?

Nos céus abertos surge então, diante de João, “um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro”, o qual julga e guerreia com justiça. Sua descrição simbólica revela olhos são como chamas de fogo, muitas coroas em sua cabeça e um nome que só ele conhece, e ninguém mais; ele se veste com “um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus”. O cavaleiro se faz acompanhar de “exércitos dos céus vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos”. Sai de sua boca “uma espada afiada, com a qual ferirá as nações”“Ele as governará com cetro de ferro,” pisando “o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso”. “Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”.

Um anjo que estava em pé no sol clamava em alta voz a todas as aves que voavam pelo céu: “Venham, reúnam-se para o grande banquete de Deus, para comerem carne de reis, generais e poderosos, carne de cavalos e seus cavaleiros, carne de todos – livres e escravos, pequenos e grandes”. A besta, os reis da terra e os seus exércitos estavam reunidos para guerrearem contra o cavaleiro do cavalo branco e seu exército. “Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais miraculosos em nome dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”. Os demais foram mortos com a espada que saía da boca do cavaleiro, “e todas as aves se fartaram com a carne deles”.

Um anjo com a chave do Abismo e uma grande corrente prendeu o dragão (a antiga serpente, o Diabo, Satanás) e o acorrentou por mil anos; lançou-o no Abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações, até que terminasse o milênio. Ele será solto por pouco tempo depois disso.

João vê então tronos em que se assentaram os que têm autoridade para julgar. Ele avista também as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, que não tinham adorado a besta nem a sua imagem nem tinham recebido a sua marca na testa ou nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos (foi a primeira ressurreição). O restante dos mortos somente será ressuscitado após o milênio.  Os que participam da primeira ressurreição são felizes e santos, pois a segunda morte (morte espiritual) não tem poder sobre eles. Eles serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos.

No final do milênio, Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar todas as nações da terra, bem como a Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. No livro de Ezequiel, Gogue e Magogue são nomes simbólicos dados às nações que se rebelam contra Deus e são hostis ao seu povo. O número de integrantes desse exército é incontável como a areia do mar. Na batalha, as nações marcharam por toda a superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada, mas um fogo desceu do céu e as devorou. Satanás, o enganador, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta; eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.

Acontece finalmente o julgamento de Deus diante do grande trono branco. A terra e o céu já não mais existiam. Os que haviam morrido, grandes e pequenos, estavam em pé diante do trono. O mar, a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia e livros foram abertos. Foi também aberto o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros. O lago de fogo recebeu aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida, bem como a morte e o Hades: não havia mais necessidade deles, pois finalmente a morte fora tragada na vitória.

domingo, 28 de março de 2021

15. HÃO DE ACONTECER: QUEDA DA GRANDE CIDADE

“Depois disso vi outro anjo que descia dos céus. (...) E ele bradou com voz poderosa: ‘Caiu! Caiu a grande Babilônia!’” 

(Apocalipse 18.1-2)

Após o sétimo anjo ter derramado a sua taça no ar provocando grande cataclismo na terra e anunciando a chegada do julgamento divino, no capítulo 16, um dos anjos disse a João: “Venha, eu lhe mostrarei o julgamento da grande prostituta...” Levado pelo Espírito ao deserto, João viu uma mulher montada numa besta vermelha; a besta estava coberta de nomes blasfemos e tinha sete cabeças e dez chifres. A mulher vista por João é outro símbolo, vestida de azul e vermelho, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas, segurando um cálice de ouro, cheio de coisas repugnantes e da impureza da sua prostituição e com uma inscrição em sua testa: “Mistério: Babilônia, a grande mãe das prostitutas e das práticas repugnantes da terra”. Ela se mostra “embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus”.

O anjo explicou a João o mistério da mulher e da besta. As sete cabeças são sete colinas, mas também são sete reis: cinco já passaram, um ainda existe e o outro ainda não surgiu e, quando surgir, permanecerá por pouco tempo. A besta que era, e agora não é, é o oitavo rei e caminha para a perdição. Dez chifres representam dez reis que ainda não receberam autoridade como reis, mas que a receberão junto com a besta por pouco tempo. Guerrearão contra o Cordeiro, ele e os seus fiéis os vencerão. As águas são povos, multidões, nações e línguas. A besta e os dez chifres odiarão a prostituta: eles a levarão à ruína e a deixarão nua, comerão a sua carne e a destruirão com fogo, pois este é o propósito de Deus. A mulher é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.

Depois disso, João viu outro anjo que descia dos céus bradando com voz poderosa: “Caiu! Caiu a grande Babilônia!” A seguir, em linguagem poética, o anjo mostrou a João primeiramente a decadência espiritual da grande cidade: tudo o que é imundo, impuro e detestável foi por ela abrigado, prostituindo espiritualmente todas as nações, bem como seus reis. Uma voz dos céus alertou os cristãos para que saíssem da cidade para não participarem do seu pecado e não serem atingidos pelas pragas. Em um só dia, morte, tristeza e fome alcançarão a grande cidade e o fogo a consumirá. Os reis da terra, por ela corrompidos, chorarão e se lamentarão, mas ficarão de longe com medo tormento.

Os negociantes da terra chorarão e se lamentarão porque ninguém mais compra a sua mercadoria: joias, tecidos finos e caros, peças de madeira, de marfim, de bronze, ferro e mármore, canela e especiarias, incenso, mirra e perfumes, vinho, azeite de oliva, farinha fina e trigo, bois e ovelhas, cavalos e carruagens fazem parte das perdas econômicas. Nos transportes marítimos, pilotos, passageiros, marinheiros dos navios e os que ganham a vida no mar ficarão de longe, lamentando-se e chorando. Nas atividades comuns das grandes cidades, nunca mais se ouvirá em seu meio o som dos harpistas, músicos, flautistas e tocadores de trombeta; nunca mais haverá artífice algum, de qualquer profissão; não mais se ouvirá em seu meio o ruído das pedras de moinho; a luz da candeia não brilhará mais dentro de seus muros, nem se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva. A grandeza dos mercadores, a sedução das nações por suas feitiçarias e principalmente o sangue de profetas, de santos nela encontrado foram seus grandes pecados.

Houve regozijo nos céus, onde uma grande multidão iniciou um grandioso louvor, louvando salvação, glória e poder que pertencem a Deus e seus verdadeiros e justos juízos.

Envolto em grande simbolismo de linguagem, esta é a queda da grande cidade, chamada nesta passagem apocalíptica de Babilônia, mas já denominada profeticamente no Apocalipse de Roma, Egito e Sodoma. O que representa a queda da grande cidade? Há muitas interpretações, mas talvez a mais comum seja a identificação da cidade com Roma pelas sete colinas, tanto Roma Imperial quanto a Eclesiástica. Pessoalmente, creio que a grande cidade destruída refere-se à queda da civilização humana como um todo, principalmente no que diz respeito à perseguição aos profetas e à igreja, e principalmente pelo pecado e desvio de sua rota dos caminhos do Senhor. A geração de Caim, que tanto desenvolvimento criou, fundando cidades e lidando com tendas, rebanhos, instrumentos musicais e ferramentas de bronze e ferro (segundo os capítulos iniciais de Gênesis), também introduziu novos pecados no mundo, como a bigamia. Ela reflete toda a concupiscência humana, a busca do homem pelo prazer, a sedução do pecado. No início de Gênesis, depois que os filhos de Deus buscaram as filhas dos homens, Deus viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.  Deus se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, vindo em decorrência disso o dilúvio. O “dilúvio” final, não mais com água, mas com as pragas da ira de Deus sobre a humanidade, está próximo. Será o fim da história humana, da terra e do universo como o conhecemos. Então teremos novo céu e nova terra. 

sábado, 27 de março de 2021

14. HÃO DE ACONTECER: 7 TAÇAS

“Vi no céu outro sinal, grande e maravilhoso: sete anjos com as sete últimas pragas, pois com elas se completa a ira de Deus” (Apocalipse 15). 

Abertas e reveladas pelos selos, anunciadas pelas trombetas, chegam finalmente as sete taças da ira de Deus, contendo as últimas pragas como parte do julgamento final. Antes do derramamento do conteúdo das taças, os que tinham vencido a besta, a sua imagem e o número do seu nome entoam a Deus o Cântico de Moisés e o Cântico do Cordeiro:

“Grandes e maravilhosas / são as tuas obras, / Senhor Deus todo-poderoso. / Justos e verdadeiros / são os teus caminhos, / ó Rei das nações. / Quem não te temerá, ó Senhor? / Quem não glorificará o teu nome? / Pois tu somente és santo. / Todas as nações virão à tua presença / e te adorarão, / pois os teus atos de justiça / se tornaram manifestos”.

Abre-se nos céus o Tabernáculo da Aliança e dele saem os sete anjos com as sete pragas. Com toda a solenidade, na presença de Deus e de todos os que estavam na sala do trono, uma forte voz vinda do santuário dizia aos anjos: “Vão derramar sobre a terra as sete taças da ira de Deus”.

O primeiro anjo derramou a sua taça pela terra, e abriram-se feridas malignas e dolorosas naqueles que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem.

O segundo anjo derramou a sua taça no mar, transformando-o em sangue como de um morto e matando toda criatura que vivia no mar.

“O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes, e eles se transformaram em sangue”. Após a terceira taça ser derramada, ouviu-se um anjo com autoridade sobre as águas dizer: “Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste estas coisas; pois eles derramaram o sangue dos teus santos e dos teus profetas, e tu lhes deste sangue para beber, como eles merecem”. Exercendo seu justo juízo, Deus estava punindo o derramamento do sangue dos seus servos e atendendo as almas daqueles que estavam sob o altar, na abertura do quinto selo.

O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e ele queimou os homens com fogo. Mesmo sofrendo justo castigo, os homens amaldiçoaram o nome de Deus; contudo, recusaram arrepender-se e glorificá-lo.

O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, deixando seu reino em trevas. Por causa de tanta agonia causada por suas dores e feridas, os homens mordiam a própria língua e blasfemavam contra o Deus dos céus; contudo, não se arrependeram das obras que haviam praticado.

“O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas para que fosse preparado o caminho para os reis que vêm do Oriente”. João viu saírem da boca do dragão, da besta e do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs: eram espíritos de demônios, que realizam sinais miraculosos. Serão eles que irão aos reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso. Então, os três espíritos os reunirão no lugar que, em hebraico, é chamado Armagedom.

Finalmente, o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu do santuário uma forte voz que vinha do trono, dizendo: “Está terminado!” Relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto aconteceram em seguida. O terremoto foi o mais forte desde que o homem existe sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes e as cidades das nações se desmoronaram. A grande Babilônia começou a beber o cálice do vinho do furor da ira de Deus. Todas as ilhas e montanhas desapareceram. Vindas do céu, caíram sobre os homens enormes pedras de granizo, de cerca de trinta e cinco quilos cada um. Houve blasfêmia contra Deus por causa do granizo, pois a praga foi terrível, mas os homens não se arrependeram do seu pecado.

Até agora, vimos quatro conjuntos de sete elementos do livro de Apocalipse: os sete castiçais, representando as sete igrejas da Ásia receptoras das cartas; os sete selos, que lacraram e preservaram a mensagem divina dos últimos dias, abertos e revelados pelo Cordeiro; as sete trombetas, anunciando a chegada do juízo e a punição de Deus por causa do pecado do homem; as sete taças contendo as pragas de Deus sobre a terra, sobre a humanidade, e fazendo acontecer o julgamento de Deus. A queda da grande Babilônia, já anunciada anteriormente, será o tema do nosso próximo texto.   

13. HÃO DE ACONTECER: 7 TROMBETAS

 

“Quando ele abriu o sétimo selo, houve silêncio nos céus cerca de meia hora. Vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus; a eles foram dadas sete trombetas” (Apocalipse 8 1-2).

O livro selado registrou os segredos de Deus até a época de João. Os sete selos os lacraram e preservaram para a hora oportuna. Os selos abertos revelaram os acontecimentos do final dos tempos. É hora agora de anunciá-los, através das sete trombetas.

Após o oferecimento das orações dos santos sobre o altar diante do trono, representados por um incensário de ouro com muito incenso, um anjo “pegou o incensário, encheu-o com fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto”.

Inicia-se então o toque das trombetas. “O primeiro anjo tocou a sua trombeta, e granizo e fogo misturado com sangue foram lançados sobre a terra”. Um terço da terra, das árvores e toda a relva verde se queimou.

O segundo anjo tocou a trombeta, “e algo como um grande monte em chamas foi lançado ao marUm terço do mar transformou-se em sangue, morreu um terço das criaturas do mar e foi destruído um terço das embarcações”.

Ao toque da trombeta do terceiro anjo, caiu do céu uma grande estrela chamada Absinto, queimando como tocha sobre um terço dos rios e das fontes de águas. Um terço das águas tornou-se amargo e muitos morreram por causa disso.

O quarto anjo, ao tocar sua trombeta, atingiu e escureceu um terço do sol, da lua e das estrelas, deixando um terço do dia e da noite sem luz. Notem que, até aqui, apenas o firmamento e a natureza foram atingidos, tendo as pessoas sido poupadas, não sendo diretamente atingidas, a não ser aquelas que estavam nas embarcações ou que tomaram das águas amargas. Uma águia que por ali voava dizia em alta voz: “Ai, ai, ai dos que habitam na terra, por causa do toque das trombetas que está prestes a ser dado pelos três outros anjos!”

Quando o quinto anjo tocou a sua trombeta, uma estrela que havia caído do céu sobre a terra (talvez Absinto) recebeu a chave do poço do Abismo. Quando o Abismo se abriu, subiu dele fumaça como a de uma gigantesca fornalha, que escureceu o sol e o céu. “Da fumaça saíram gafanhotos que vieram sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da terra.  Eles receberam ordens para não causar dano nem à relva da terra, nem a qualquer planta ou árvore, mas apenas àqueles que não tinham o selo de Deus na testa.  Não podiam matá-los, mas causar-lhes tormento durante cinco meses. Os gafanhotos são simbólicos e assim são descritos: pareciam cavalos preparados para a batalha, tinham coroas de ouro sobre a cabeça, seu rosto parecia humano, seus cabelos eram como os de mulher e seus dentes como os de leão. Usavam couraças de ferro e o som das suas asas era parecia o barulho de muitos cavalos e carruagens correndo para a batalha. Em suas caudas tinham ferrões como de escorpiões, com poder para causar tormento aos homens durante cinco meses. Havia um rei sobre eles, o anjo do Abismo, chamado Abadom em hebraico e Apoliom em grego. Embora fossem gafanhotos, a agonia que os homens sofreram era como a da picada do escorpião. Á semelhança do sexto selo, quando as pessoas se esconderam em cavernas e rochas das montanhas rogando para que as cobrissem e matassem, naqueles dias os homens procurarão a morte, mas não a encontrarão, desejarão morrer, mas a morte fugirá deles. Conforme anunciado pela águia, este foi o primeiro “ai”, o primeiro sofrimento, restando mais dois.

O toque da trombeta do sexto anjo anunciou o aparecimento de uma voz vinda do altar de ouro divino, dizendo ao anjo que tinha a trombeta: “Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates”. Os quatro anjos, preparados para aquele momento, foram soltos para matar um terço da humanidade. Na introdução do número 144.000, referente ao Reino de Israel, quatro anjos foram colocados em pé nos quatro cantos da terra para “impedir que qualquer vento soprasse na terra, no mar ou em qualquer árvore”. O vento ali representava a ira de Deus que cairia sobre a humanidade. No final do capítulo 9, são novamente mencionados os anjos e, para matarem um terço da humanidade, muita gente, é mencionado um exército cujo número de integrantes é ouvido por João: duzentos milhões. Também neste momento da visão profética, a descrição de cavalos e cavaleiros do exército é simbólica: couraças vermelhas como o fogo, azuis como o jacinto, e amarelas como o enxofre; cabeça dos cavalos parecendo a um leão; da boca lançavam fogo, fumaça e enxofre. O poder dos cavalos estava na boca e na cauda, que eram como cobras e feriam as pessoas. O resultado disso foi a morte de um terço da humanidade por causa do fogo, da fumaça e do enxofre que saíam das suas bocas. É melancólico o final do capítulo: o restante da humanidade que não morreu por essas pragas, mas nem assim se arrependeu das obras das suas mãos, não parando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, ídolos que não podem ver, nem ouvir, nem andar. “Também não se arrependeram dos seus assassinatos, das suas feitiçarias, da sua imoralidade sexual e dos seus roubos”. Há alguma semelhança com a reação da humanidade hoje, nos dias de pandemia?

A sétima trombeta somente será tocada no final do capítulo 11, anunciando a chegada das sete taças contendo as pragas da ira de Deus.

sexta-feira, 26 de março de 2021

12. HÃO DE ACONTECER: 7 SELOS

“Observei quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos. Então ouvi um dos seres viventes dizer com voz de trovão: ‘Venha!’” (Apocalipse 6.1)

A abertura dos selos começa de modo solene pelo Cordeiro. O primeiro selo trouxe um cavalo branco, cujo cavaleiro empunhava um arco, a quem foi dada uma coroa; “ele cavalgava como vencedor determinado a vencer”, afirma João em sua profecia. Comentaremos o cavaleiro do cavalo branco posteriormente.

O segundo selo revelou um cavalo vermelho e seu cavaleiro, a quem foi dada uma grande espada; ele “recebeu poder para tirar a paz da terra e fazer que os homens se matassem uns aos outros”. Este cavaleiro representa a guerra.

A abertura do terceiro selo trouxe diante de João um cavalo preto, cujo cavaleiro tinha na mão uma balança; ouviu-se uma voz vinda de entre os quatro seres viventes que dizia: “Um quilo de trigo por um denário, e três quilos de cevada por um denário, e não danifique o azeite e o vinho!” O cavaleiro do cavalo preto representa o surgimento de um tempo de fome e escassez de alimentos.

O quarto selo revelou a chegada de um cavalo amarelo, ou, como trazem algumas versões e alguns comentaristas, verde pálido, a cor de um cadáver. “Seu cavaleiro chamava-se Morte, e o Hades o seguia de perto. Foi-lhes dado poder sobre um quarto da terra para matar pela espada, pela fome, por pragas e por meio dos animais selvagens da terra”.

Tendo sido completado o número dos quatro cavaleiros do Apocalipse, voltemos ao cavalo branco. Guerra, fome e escassez de alimento, morte: são estes os significados de três dos quatro cavaleiros. O primeiro, talvez pela cor branca, que normalmente representa pureza, tem sido interpretado por alguns como simbolizando Cristo. No entanto, dado o contexto de acontecimentos funestos que os outros três representam, sou levado a crer que o cavaleiro do cavalo branco anuncia o aparecimento do Anticristo. Por que? Porque aparecerá no final do Apocalipse (191.11) um outro cavaleiro num cavalo branco, chamado pelo texto de “Fiel e Verdadeiro”, este sim plenamente identificado com Cristo, voltando triunfante para o final dos tempos. O Anticristo vai aparecer com destaque mais tarde, no capítulo 13 de Apocalipse, identificado como a Besta que emergiu do mar. Concordam muitos comentaristas que o Diabo deve ser interpretado como enganador e imitador das coisas divinas, pois, desejando ser igual a Deus, foi expulso do Paraíso. Assim sendo, tentou a Adão, prometendo que ele seria igual a Deus, conhecedor do Bem e do Mal. O diabo deseja a mesma coisa: ser como Deus.

Vamos ao quinto selo: ele revelou, debaixo do altar na sala do trono de Deus, “as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram”, os quais clamavam em alta voz pelo julgamento de Deus, para julgar os habitantes da terra e vingar o seu sangue. A cada um foi dada uma veste branca e afirmado que esperassem um pouco mais, “até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles”. Na queda da grande Babilônia, mais para o final do livro, essas almas serão atendidas.

O sexto selo trouxe um grande terremoto, com o escurecimento do sol, a lua tornando-se vermelha como sangue e as estrelas do céu caindo sobre a terra. Era o anúncio de uma catástrofe cósmica, que também apontava para o final do livro e dos tempos: o céu recolhendo-se como pergaminho e todas as montanhas e ilhas removidas de seus lugares. O fato provocou pânico geral na humanidade, atingindo a todos: reis, príncipes, generais, ricos, poderosos, escravos e livres. As pessoas se esconderam em cavernas e rochas das montanhas, gritando para que montanhas e rochas caíssem sobre elas, escondendo-as da ira de Deus e do Cordeiro. Novamente, o selo revela o que iria acontecer no final dos tempos.

O sétimo selo somente será aberto no capítulo 8, anunciando a chegada das sete trombetas. Antes, porém, no capítulo 7, temos a introdução de um número interessante: 144.000 pessoas que, segundo o texto, deveriam ser seladas na testa como servos do nosso Deus (sendo 12.000 de cada tribo de Israel, mencionadas nominalmente) e, enquanto o selo não acontecesse, quatro anjos foram colocados em pé nos quatro cantos da terra para “impedir que qualquer vento soprasse na terra, no mar ou em qualquer árvore”. O vento aí implica em castigo de Deus, parte das pragas que cairão sobre a humanidade. Os 144.000 serão poupados de sofrerem a ira de Deus. O grupo novamente será mencionado no final do livro e nos tempos do fim.  

O capítulo termina com o louvor de “uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas”. Ao coro da multidão de vestes brancas juntam-se os quatro seres viventes e os anciãos. Os que estão vestidos de branco são identificados como “aqueles que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro”. Que Deus mantenha a nossa fé para participarmos desse coro!

11. AS COISAS QUE HÃO DE ACONTECER: LIVRO SELADO

“Então vi na mão direita daquele que está assentado no trono um livro em forma de rolo, escrito de ambos os lados e selado com sete selos” (Apocalipse 5.1).

Diante de João estava uma porta aberta no céu e uma voz o convidou: “Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas”. As coisas eram as que João havia visto e as que são, ou seja, o Filho de Deus revelado e as mensagens por ele enviadas através do profeta às sete igrejas da Ásia. João é agora convidado a ver as coisas que há de acontecer, ou seja, as coisas do final dos tempos.  
João se viu inicialmente numa sala, onde havia um trono no céu com alguém nele assentado. A descrição do ocupante do trono e dos seus arredores é simbólica: um ser semelhante a jaspe e sardônio e um arco-íris como esmeralda circundando o trono. Vinte e quatro anciãos também assentados em tronos, vestidos de branco e com coroas de ouro na cabeça, circundavam o trono principal. Dele saíam relâmpagos, vozes e trovões e diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, os sete espíritos de Deus. Algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal, estava diante do trono. Ao redor dele, havia ainda quatro seres viventes também simbolicamente descritos: um semelhante a leão, outro a boi, o terceiro com rosto de homem e o último semelhante a águia em voo. Os seres viventes louvavam exaltando ao Deus todo-poderoso, ao louvor se juntando os vinte e quatro anciãos, prostrados diante do ocupante do trono e adorando-o como alguém digno de receber a glória, a honra e o poder por ter criado todas as coisas.
No cenário acima descrito, João viu um livro em forma de rolo, escrito de ambos os lados e selado com sete selos que estava na mão direita de Deus, o ocupante do trono. Ninguém é achado digno de romper os selos e de abrir o livro, ou mesmo de olhar para ele, fato que provoca em João uma emoção que o leva às lágrimas. Um dos anciãos então anuncia: “Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”.
Olhando bem, João viu um Cordeiro, “que parecia ter estado morto, em pé, no centro do trono, cercado pelos quatro seres viventes e pelos anciãos”, figurando Jesus Cristo, descrito também simbolicamente como tendo sete chifres e sete olhos (poder e visão completos), dados pelos sete espíritos de Deus (o pleno Espirito de Deus). O Cordeiro se aproximou e recebeu o livro da mão direita de Deus e, ao fazê-lo, iniciou-se novo louvor dos quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos, prostrados diante do Cordeiro, cada um com harpa e taça de ouro cheia de incenso na mão, taça essa que representava as orações dos santos.

Há muita coisa simbólica no Apocalipse, às vezes interpretadas pelo próprio texto, às vezes deixadas para nossa interpretação. Esses símbolos não devem servir de barreira para que procuremos entender a mensagem profética, porque há promessa de bênção para quem o fizer.

Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes cantavam, exaltando a dignidade do Cordeiro de receber o livro e de abrir os seus selos, pois ele havia sido morto e, com seu sangue, comprado para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação, pessoas que foram constituídas como sacerdotes para o nosso Deus, que reinarão sobre a terra com Deus no final dos tempos. Quem são essas pessoas? Os salvos pelo sangue de Cristo Jesus de todos os tempos, ou seja, os cristãos. Eles cantavam e, no seu cântico, a nossa participação está incluída!
Ao louvor dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro anciãos juntou-se a voz de milhares de milhares e milhões de milhões de anjos, que rodeavam o trono, louvando a dignidade do Cordeiro de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor! juntam-se ainda ao coro “todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há”. É interessante notar-se como muitas das mensagens dos louvores do Apocalipse também são cantadas, com as necessárias adaptações à métrica das melodias modernamente compostas, nas nossas igrejas. Veja, por exemplo, esta:

“Àquele que está assentado / no trono / e ao Cordeiro / sejam o louvor, a honra, / a glória e o poder, / para todo o sempre!”

Ao louvor inicial dos quatro seres viventes e dos anciãos, acrescido pela multidão de anjos e mais ainda, pelo louvor de “todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há”, devemos nós também, os que aguardamos a volta de Cristo, nos prostrarmos e adorarmos àquele que criou todas as coisas e ao seu Filho, o Cordeiro que tira o pecado do mundo, pela salvação, pelas bênçãos que nos são concedidas e pela esperança da vida eterna em nós plantada, a qual ansiamos ver completada, num futuro não muito distante.

quinta-feira, 25 de março de 2021

10. APOCALIPSE: AS COISAS QUE ERAM E AS QUE SÃO

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer” (Apocalipse 1.19). 

Vamos iniciar assumindo: há um aparente pleonasmo no título, já que “Apocalipse”, termo grego, significa “revelação”. Como os termos assumiram ao longo do tempo sentidos distintos, nós o escolhemos.

João foi desafiado a escrever de acordo com três tipos diferentes de coisas: as que tens visto (capítulo 1), as que são (capítulos 2 e 3) e as que hão de acontecer (capítulos 4 a 22). São as três partes do Apocalipse que nortearão nosso estudo. A Bíblia de Estudos NVI – Arqueologia apresenta três temas presentes no livro: Deus está no controle, Jesus voltará e a salvação é para todos os que a receberem. João recebeu a revelação do Apocalipse do próprio Senhor Jesus Cristo quando esteve exilado na ilha de Patmos por pregar o evangelho. O livro foi escrito no final do século I.

As coisas que eram que João tinha visto resumem-se na revelação do Senhor Jesus, que aparece como alguém semelhante ao Filho do Homem descrito de forma muito singular, com características bastante simbólicas. A visão de Cristo já mostra no primeiro capítulo o prenúncio de sua segunda vinda e o estabelecimento definitivo do Reino de Deus, fato que conclui o livro.

Há muitos mistérios no livro, sendo o primeiro o das sete estrelas e dos sete castiçais de ouro, revelado pelo Salvador: as estrelas são os anjos das sete igrejas e os castiçais são as sete igrejas.

As coisas que são vistas por João referem-se às sete igrejas da Ásia Menor, o primeiro conjunto de sete do livro, os sete candeeiros. Elas são nomeadas como Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Sem entrar em detalhes, em cada uma das cartas Cristo faz seu comentário elogiando, condenando e corrigindo atitudes de cada igreja. Há igrejas mais elogiadas do que condenadas; há outras com mais condenação do que elogio; uma igreja foi apenas elogiada, sem condenação: a de Filadélfia; outra foi apenas condenada, sem nenhum elogio: a de Laodiceia. Foi justamente esta igreja que recebeu de Cristo a seguinte mensagem: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”. Na minha opinião, esta é uma das mais melancólicas das mensagens bíblicas: o Senhor Jesus, aquele que prometeu edificar a sua igreja de modo que as portas do inferno não prevalecessem sobre ela, está fora da porta da Igreja de Laodiceia e bate, querendo entrar. É interessante observar-se que há sempre uma expectativa de arrependimento e mudança de vida, mesmo neste verso. “Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta” indica que há sempre a esperança de que haja arrependimento e mudança de vida, mesmo para aqueles cuja atitude levou o Salvador a declarar “porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca”.

As sete cartas do Apocalipse sempre contêm uma mesma estrutura: introdução do emissor, o Senhor Jesus, sempre apresentado de forma diferente; comentário contendo elogio aos pontos fortes da igreja; censura e condenação dos pontos fracoscorreção de rumo, com sugestão de ações positivas; promessa aos que persistirem na luta. O período das cartas era historicamente muito difícil, de perseguição por parte do imperador romano Domiciano; o próprio João estava preso por isso. No entanto, a promessa final à igreja, mesmo à pior delas, era sempre positiva. Ao vencedor sempre há bênçãos prometidas. A Laodiceia, por exemplo, Cristo diz através de João: “Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono”. Invariavelmente, a mensagem final alerta: “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Parece um paradoxo dizer a quem tem ouvidos para que ouça; no entanto, ouvir aí implica também em atender, e não é qualquer voz que deve ser ouvida e atendida, mas a do Espírito Santo, o Consolador que estaria presente individual e coletivamente na vida dos seguidores. Temos usado os nossos ouvidos para ouvir e atender o que o Espírito de Deus nos tem dito?

Estas são as coisas que João viu e as que são, as duas primeiras partes do estudo do Apocalipse em seus três primeiros capítulos. A parte mais importante do livro se refere às coisas que hão de acontecer, contidas no capítulo 4 até o final do livro, assunto para os próximos textos.

 

23. DA VELHA BABILÔNIA À NOVA JERUSALÉM

  “Nabucodonosor levou para o exílio, na Babilônia, os remanescentes (...) para serem seus escravos...” (2 Crônicas 36.20) “Então vi novo...