sábado, 24 de abril de 2021

23. DA VELHA BABILÔNIA À NOVA JERUSALÉM

 “Nabucodonosor levou para o exílio, na Babilônia, os remanescentes (...) para serem seus escravos...” (2 Crônicas 36.20)

“Então vi novos céus e nova terra (...) Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus...”

(Apocalipse 21.1-2a).

Na profecia de Daniel, a característica marcante do Império Babilônico é representada pela cabeça de ouro. Babilônia, sua metrópole, alcançou uma altura nunca antes alcançada por nenhum dos sucessores de Nabucodonosor. Situada em um jardim no Oriente, ocupava um quadrado perfeito de aproximadamente 90 quilômetros de circunferência, cerca de 24 quilômetros de cada lado. Era cercada por uma muralha de cerca de oitenta metros de altura e vinte e sete metros de espessura, circundada por um fosso; dividida em quadrados por suas muitas ruas, cada uma com 45 metros de largura, com cruzamentos em ângulos retos; a cidade se estendia em jardins e recantos de prazer visual, intercalados por magníficas vivendas,  com seus cem metros de fosso e de muralha externa, seus sessenta metros de muro de rio cruzando o centro da cidade, seus portões de bronze sólido, seus jardins suspensos com terraços acima de terraços até alcançarem a altura das próprias muralhas, seu majestoso templo de Belos (ou Marduque), seus dois palácios reais conectados por túneis subterrâneos sob o rio Eufrates, seu projeto perfeito para privilégio, ornamentação e defesa, bem como seus recursos ilimitados de cidade, Babilônia possuía em si mesma muitas coisas que eram singulares, na grande maravilha que era a cidade para o mundo antigo. Lá, com todo o mundo prostrado aos seus pés, uma rainha de inigualável grandeza, ostentando o título de “a glória dos reinos, a beleza da excelência dos caldeus”, levantava-se a cidade, capital adequada daquele reino representado pela cabeça de ouro desta grande imagem histórica.

Essa era a Babilônia, em cujo trono sentou-se Nabucodonosor, no melhor da sua vida, coragem, vigor e realizações, quando Daniel adentrou suas muralhas para servir como um cativo em seus gloriosos palácios, durante setenta anos. Lá os filhos do Senhor, mais oprimidos do que extasiados pela glória e prosperidade da terra do seu cativeiro, penduraram suas harpas nos salgueiros às margens do Eufrates, chorando ao se lembrarem de Sião. Lá começou o estado cativo da igreja ainda em um sentido mais amplo, pois desde aquele tempo, o povo de Deus tem estado em sujeição aos poderes terrenos, oprimido por eles de forma progressiva. Assim eles ficarão, até que todos os poderes terrenos finalmente se submetam ao Cordeiro, aquele que tem o direito de reinar.

No entanto, aguardem: aquele dia de livramento lentamente se aproxima. Em outra cidade, não somente Daniel, mas todos os filhos de Deus, do menor ao maior, do mais baixo ao mais alto, logo entrarão. Não é meramente uma cidade de noventa quilômetros de circunferência, mas de mais de dois mil e duzentos quilômetros, muito maior, portanto; uma cidade cujos muros não são de tijolos e betume, mas de pedras preciosas e jasper; cujas ruas não são as vias pavimentadas da Babilônia (embora fossem elas lisas e bonitas), mas de ouro transparente; cujo rio não é o Eufrates, mas o rio da Vida; cuja música não são suspiros e lamentos dos cativos de coração partido, mas emocionantes hinos de vitória sobre a morte e o túmulo, do qual multidões resgatadas se erguerão; cuja luz não é a bruxuleante iluminação terrena, mas a incessante e inefável glória de Deus e do Cordeiro. A essa cidade eles virão, não como cativos entrando em uma terra estrangeira, mas como exilados retornando à casa de seu pai; não estarão voltando para um lugar onde conviverão com palavras assustadoras como "servidão," "escravidão" e "opressão", mas para um lugar onde as doces palavras "lar", "liberdade", "paz", "pureza", "indizível bênção" e "vida sem fim" encherão suas almas com deleite para sempre e sempre. Sim, nossa boca encheu-se de riso e a nossa língua de cantos de alegria quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião.

A velha cidade histórica de Babilônia deixou de existir ao longo do tempo, com a mudança pelos persas da capital para Susã, recém construída, e o abandono de suas edificações. Assim morreu uma das sete maravilhas do mundo antigo. No Apocalipse, Babilônia aparece como a Grande Prostituta, corruptora dos reis e reinos deste mundo, destruída após a sétima taça derramada com a derradeira praga da ira de Deus. Jerusalém, conquistada inicialmente por Davi aos jebuseus, capital do Reino de Israel, foi o local onde o Cordeiro de Deus foi morto. Ainda hoje é a capital do país chamado Israel. A Nova Jerusalém é o nosso destino final, desde que tenhamos aceitado o sacrifício do Cordeiro de Deus como tendo sido realizado em nosso lugar, pelo pecado de cada um de nós. Se você não for para a Nova Jerusalém, seu destino será a ira de Deus. “Meu amigo, / hoje tu tens a escolha: / vida ou morte, / qual vais aceitar?”

Escolha a vida em Cristo Jesus! Aproveite, antes que ele volte!  

sábado, 10 de abril de 2021

22. DA IGREJA APOSTÓLICA À IGREJA CONTEMPORÂNEA

“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2. 42). 

A Igreja Apostólica começou com 120 pessoas, incluindo os apóstolos e os seguidores do Caminho, nome que antecedeu o de cristãos. Houve grande aumento numérico ao longo dos séculos, até chegarmos à era presente, à Igreja Contemporânea, que hoje convive com a pandemia. Existe alguma semelhança entre as duas igrejas distanciadas no tempo? O pastor Paulo Washer lançou recentemente o livro “Dez acusações contra a Igreja Moderna”, o qual serviu de inspiração para este texto. Conheçamos um pouco das suas ideias.

Timóteo afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”, mas modernamente líderes cristãos têm defendido a necessidade de contemporização da Bíblia, de apoio da psicologia, antropologia e sociologia em suas mensagens. Negam a eficiência da Escritura; a Bíblia é inspirada, inerrante e suficiente para comunicar a mensagem divina ao homem, pois é a Palavra de Deus.

Segundo Paul Washer, existem algumas formas de ignorância na igreja, primeiramente, com respeito a Deus. Conhecer a Deus resume toda a vida cristã, desde a conversão até a eternidade. Há, muitas vezes,  formado no  próprio coração das pessoas, um deus sendo adorado, em vez do culto racional ao Deus Verdadeiro, por puro desconhecimento.

ignorância quanto ao evangelho de Cristo não leva em conta a natureza de Deus, em contraste com a natureza humana decaída. Deus é verdadeiramente justo e todos os homens são ímpios. O Filho de Deus veio ao mundo como homem perfeito, vivendo em harmonia com o Pai, morrendo na cruz do Calvário em nosso lugar, dando-nos nova vida com o novo nascimento. O erro fundamental da igreja hoje com relação ao evangelho é não dar ênfase à regeneração.

ignorância quanto à natureza da Igreja nos leva a esquecer que Deus estabeleceu somente uma instituição religiosa, a Igreja, por quem Jesus deu sua vida, para que ela fosse santa. A igreja é e sempre foi uma só, seu organismo é único e eterno, embora os homens a tenham complicado em suas organizações locais mundanas e passageiras.

pecado é o verdadeiro problema e mal do ser humano. Os púlpitos modernos tratam o pecado de forma superficial, com pregadores que estão mais preocupados em dar às pessoas “a melhor vida agora” do que em guiá-las para a eternidade. A doença  chamada autoestima nos leva a amar mais ao eu do que a Deus. Com isso, tem-se atenuado a forma de convite ao evangelho. João Batista pregava: “Arrependam-se e creiam nas boas novas.” No entanto, pregadores modernos mudaram o arrependimento por aceitar a Cristo. A decisão emocional de um momento sem o consequente arrependimento do pecado e busca da santificação na vida não é verdadeira vida cristã.

Busca da santificação e permanência no pecado são antagônicos. A Igreja atual não tem alertado seus membros quanto à necessidade de separação do mundo pecaminoso. Paulo alertou aos crentes romanos: “... o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas?”  Se Deus promove um verdadeiro novo nascimento em uma pessoa, ele continuará agindo nessa vida por meio de ensino, bênção, admoestação e disciplina. Se você quer conhecer a Deus, alguma separação do mundo tem que acontecer.

ensino bíblico para a família tem sido substituído por psicologia e sociologia. Como líder familiar, sua autoridade está na Palavra de Deus. A juventude da igreja precisa de acompanhamento de líderes mais experientes, com maior vivência cristã. A Igreja não tem tido muitos problemas com a vida cultural mundana de hoje, porque não estamos confrontando a cultura ao nosso redor; ande em obediência à Palavra de Deus e o mundo o odiará. Falta à Igreja moderna uma disciplina eclesiástica amorosa e compassiva. O crente realmente convertido ao evangelho pode precisar de restauração com mansidão. Deus disciplina a quem ele ama; assim deve também fazer a Igreja.

Como última crítica, Washer ressalta a existência hoje de pastores mal nutridos na Palavra de Deus: Paulo orientou o jovem Timóteo: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade”. No final dos tempos, todo o inferno tomará conta da cultura humana, tudo se tornará confuso e homens agirão como bestas, como animais. Conrad Mbewe, um líder cristão africano, afirmou: “Na África, já não temos medo de bestas nem fugimos delas; tememos os homens e fugimos deles”. É a depravação total da humanidade: o mundo perdeu o juízo, mas devemos estar constantemente alimentados pelas palavras da fé. Nos nossos dias, movimentos como Igreja emergente e crescimento de igreja, bem como a adaptação cultural das verdades bíblicas, em grande parte, estão se afastando dos ensinos neotestamentários. Precisamos nos disciplinar e aplicar na piedade, na oração, na leitura da Bíblia, no modo de falar e mesmo na companhia com a qual andamos. Se vocês são filhos do Rei, nada neste mundo poderá satisfazê-los. 

Pastores e líderes cristãos: Somos homens de Deus, ministros do Altíssimo: procuremos nos apresentar aprovados diante do Criador!

sexta-feira, 9 de abril de 2021

21. OS JUDEUS E O MESSIAS

 

“... estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1.10-11). 

Quando Deus enviou seu Filho ao mundo, a expectativa entre os judeus era para a chegada de um Messias libertador, político, guerreiro, que restaurasse o reino de Israel à sua antiga glória. Em Belém de Judá, pouco maior do que um povoado, nasceria um bebê, filho de família humilde que, quando se tornasse adulto, promoveria um Reino, não o de Israel, mas o de Deus, seu Pai. Frustraram-se aqueles que não souberam ler devidamente as profecias; por isso afirmou João que ele “veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Por isso, desde o século I da Era Cristã, os judeus (que seguem outro calendário) aguardam a vinda do Messias.

O interessante, no entanto, é que, crendo eles nas mesmas profecias veterotestamentárias em que também os cristãos creem (embora eles não aceitem as do Novo Testamento), também os rabinos atuais estão pressentindo que a vinda do Messias está próxima. Para o rabino Alon Anava, do norte de Israel, existe um significado espiritual na turbulência em que vivemos. Ele acredita que o mal está tentando anular o bem e que um governo mundial será um mal necessário para a vinda do Messias. “Você pode ver claramente que a força do mal e das trevas está tentando aniquilar a força do bem”, afirmou ele. “O Messias é para o resto do mundo, não é apenas para judeus”, continuou ele. “Jeová comanda o show. Você não tem nada a temer”, concluiu o rabino.

Um outro rabino arriscou até a prever um ano: a chegada do Messias acontecerá em 2022, segundo ele. A vinda do Enviado deve coincidir com um evento estelar de grande proporção; recentemente, pesquisadores astronômicos anunciaram uma colisão de corpos celestes para 2022, que iluminará o céu noturno, dando origem ao nascimento de uma nova estrela. Desde os escritos de Maimônides, um rabino judaico de Andaluzia do século XII, já havia alusão a um versículo do Antigo Testamento como a prova da chegada do Salvador. Nachman Kahane, um líder rabino em Jerusalém, crê que um Templo será construído no monte do Templo enquanto ele, o rabino, ainda estiver vivo; e ele diz que tudo está pronto para que o Templo seja construído ainda hoje.

O profeta Ezequiel, contemporâneo do final do Reino de Judá e da deportação para a Babilônia, a partir do capítulo 40 até o final, fala da futura restauração e da construção de um majestoso templo a Deus, dando descrição minuciosa do mesmo. Naquele tempo, o Templo de Salomão estava sendo destruído pelos conquistadores e seus objetos sagrados levados para a Babilônia. O templo reconstruído setenta anos depois não tinha a glória da primeira edificação nem seguiu as especificações dadas a Ezequiel. A profecia se refere, portanto, ao terceiro templo a ser construído em Israel.

Providências para a construção do Templo têm sido tomadas em Israel, com o treinamento de homens para o serviço no Templo e a confecção dos implementos necessários para o seu funcionamento, inclusive a mesa da proposição, o altar do incenso, e a menorá (candelabro de sete braços) feita de ouro. Perto de Jericó, no vale do rio Jordão, um centro de treinamento educa homens, que creem ser da tribo de Levi e da família sacerdotal, para que venham a servir no Templo. O rabino Yoel Keren acredita que o Terceiro Templo será construído seguindo os detalhes descritos em Ezequiel 40-46.

O mundo conheceu apenas dois templos judeus: o primeiro, construído no monte do Templo pelo rei Salomão em 975 a.C., durou 390 anos, antes que os babilônios o destruíssem no ano 586 a.C. O segundo, construído depois do cativeiro na Babilônia no final do século IV a.C. no mesmo local, permaneceu durante 585 anos, até ser destruído pelos romanos no ano 70 d.C. O cenário do final dos tempos na profecia divina anuncia que haverá um templo judeu quando o Anticristo reinar sobre o mundo.

Nós, os cristãos, aguardamos a volta de Jesus Cristo, o Messias que veio ao mundo cumprindo toda a profecia do Antigo Testamento. Os judeus ainda aguardam a vinda do Messias; é interessante de se notar que as mesmas profecias cumpridas com a primeira vinda de Cristo, segundo o ponto de vista cristão, estejam hoje servindo de base para a expectativa da primeira vinda do Messias pelos judeus. Tudo leva a crer que a volta de Cristo coincida com a vinda do aguardado Messias israelita. Cumprir-se-á então a profecia de João no Apocalipse, referente à salvação dos judeus, que finalmente reconhecerão aquele que veio para o seu povo sem ser por ele conhecido; 144.000 é o número simbólico, mas significativo, sendo 12.000 de cada uma das tribos de Israel.

“A glória do Senhor entrou no templo pela porta que dava para o lado leste. Então o Espírito pôs-me em pé e levou-me para dentro do pátio interno, e a glória do Senhor encheu o templo” (Ezequiel 43.4-5). O profeta descreve a glória de Deus tomando posse do Terceiro Templo, conforme o Espírito permitiu que ele antevisse. Tudo o que foi dito mostra que Israel se prepara para construir o Templo, apesar de todos os problemas existentes. Mais uma vez, acende-se a chama da esperança para os cristãos, esperança de que tudo se renove com os novos céus e a nova terra, após a volta de Cristo. Até lá, mantenha acesa a sua lamparina, pois o Noivo não tarda a chegar. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

20. LINGUAGEM POÉTICO-MUSICAL NA QUEDA DA GRANDE CIDADE

“Nunca mais se ouvirá em seu meio / o som dos harpistas, dos músicos, / dos flautistas e dos tocadores de trombeta...” (Apocalipse 18.22a)

No texto anterior, o episódio da queda da Grande Cidade foi deixado de lado, porque era tão grande o volume da linguagem poética no Apocalipse, que deixamos para este texto posterior justamente o episódio que apresenta mais linguagem poética que os outros, talvez metade dos capítulos 17, 18 e início do 19. Após a parte profética apresentada anteriormente no texto número 17, a queda da Babilônia é descrita em forma de poesia. Para manter a beleza do texto, a linguagem poética será transcrita literalmente.

Primeiramente, houve o anúncio geral da catástrofe:

“Caiu! Caiu a grande Babilônia! / Ela se tornou habitação / de demônios / e antro de todo espírito imundo, / antro de toda ave impura / e detestável, / pois todas as nações beberam / do vinho da fúria / da sua prostituição. / Os reis da terra / se prostituíram com ela; / à custa do seu luxo excessivo / os negociantes da terra / se enriqueceram”.

Foi dado um alerta aos cristãos:

“Saiam dela, vocês, povo meu, / para que vocês não participem dos seus pecados, / para que as pragas / que vão cair sobre ela / não os atinjam! / Pois os pecados da Babilônia / acumularam-se até o céu, / e Deus se lembrou / dos seus crimes. / Retribuam-lhe / na mesma moeda; / paguem-lhe em dobro / pelo que fez; / misturem para ela uma porção dupla / no seu próprio cálice. / Façam-lhe sofrer tanto tormento / e tanta aflição / como a glória e o luxo a que ela se entregou. / Em seu coração / ela se vangloriava: / ‘Estou sentada como rainha; / não sou viúva / e jamais terei tristeza’. / Por isso num só dia / as suas pragas a alcançarão: / morte, tristeza e fome; / e o fogo a consumirá, / pois poderoso é o Senhor Deus que a julga.”

Os reis da terra, por ela corrompidos, de longe gritarão:

"‘Ai! A grande cidade! / Babilônia, cidade poderosa! / Em apenas uma hora / chegou a sua condenação!’”

Os negociantes se lamentarão:

“‘Ai! A grande cidade, / vestida de linho fino, / de roupas de púrpura / e vestes vermelhas, / adornada de ouro, / pedras preciosas e pérolas! / Em apenas uma hora, / tamanha riqueza / foi arruinada!’”

Pilotos, passageiros, marinheiros dos navios, os que ganham a vida no mar chorando gritarão:

“‘Ai! A grande cidade! / Graças à sua riqueza, / nela prosperaram /
todos os que tinham / navios no mar! / Em apenas uma hora / ela ficou em ruínas! / Celebrem o que se deu com ela, ó céus! / Celebrem, ó santos, apóstolos / e profetas! / Deus a julgou, retribuindo-lhe / o que ela fez a vocês’”.

Uma grande pedra de moinho foi teatralmente lançada ao mar e o anjo disse:

“Com igual violência / será lançada por terra / a grande cidade / de Babilônia, / para nunca mais / ser encontrada.”

O ruído das atividades normais de todas as cidades lá nunca mais existirá:

“Nunca mais se ouvirá em seu meio / o som dos harpistas, dos músicos, / dos flautistas e dos tocadores / de trombeta. / Nunca mais se achará dentro de seus muros / artífice algum, de qualquer profissão. / Nunca mais se ouvirá em seu meio / o ruído das pedras de moinho. / Nunca mais brilhará dentro de seus muros / a luz da candeia. / Nunca mais se ouvirá ali / a voz do noivo e da noiva. / Seus mercadores eram / os grandes do mundo. / Todas as nações / foram seduzidas / por suas feitiçarias. / Nela foi encontrado sangue / de profetas e de santos, / e de todos os que foram assassinados /
na terra”.

No início do capítulo 19, há um poema final refletindo a repercussão da queda nos céus:

“Aleluia! / A salvação, a glória e o poder / pertencem ao nosso Deus, / pois verdadeiros e justos / são os seus juízos. / Ele condenou / a grande prostituta / que corrompia a terra / com a sua prostituição. / Ele cobrou dela o sangue / dos seus servos”.

Encerrando o louvor celestial, ouve-se a exclamação:

“Aleluia! /A fumaça que dela vem, / sobe para todo o sempre”.

A poesia fazia parte da literatura judaico-israelita, assim como praticamente de todas as literaturas humanas, por mais remotas que fossem. Há diferenças entre a poesia do Apocalipse e a nossa poesia ocidental, principalmente a luso-brasileira; cada língua lida com sua linguagem poética de forma diferente. O uso da barra transversal (/) na transcrição dos versos foi para poupar espaço, já que cada verso normalmente ocupa uma linha. A Bíblia está cheia de poesia. Seja em forma de poema judaico-israelita, seja na forma de prosa poética, desde o Gênesis até o Apocalipse, encontramos o extravasamento de alma do autor do texto bíblico.

Tenham sempre em mente e nos corações a esperança que o livro de Apocalipse deve nos infundir, diferentemente daquilo que acontece com o mundo em geral, que vê o Apocalipse como catastrófico, sempre ligado a mortes e destruição apenas. Tudo isto está profetizado e irá acontecer, para que novos céus e nova terra possam ser criados por Deus e a Nova Jerusalém será a nossa morada eterna. Até lá, “Maranata” deve ser nossa oração. 

19. POESIA E MÚSICA NO APOCALIPSE

“Eis que ele vem com as nuvens, / e todo olho o verá, / até mesmo aqueles que o traspassaram; / e todos os povos da terra / se lamentarão por causa dele. / Assim será! Amém. “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso.” (Apocalipse 1. 7-8)

Este será, se Deus quiser, um texto prazeroso de escrever e de ler. Vamos falar da arte no livro do Apocalipse, principalmente a poesia e a música. Confesso que, mesmo tendo lido e Bíblia e o Apocalipse mais de uma vez durante a minha vida, eu nunca havia percebido a existência da arte apocalíptica. Como nós temos cantado nas nossas igrejas, ao longo do tempo, hinos cuja letra foi inspirada, adaptada e até copiada do Apocalipse! Começando no primeiro capítulo, o texto inicial é poesia do primeiro capítulo do livro. Vamos conhecer, pois o assunto é extenso.

“Santo, santo, santo / é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir”. (4.8b)

“Tu, Senhor e Deus nosso, / és digno de receber / a glória, a honra e o poder, / porque criaste todas as coisas, / e por tua vontade elas existem / e foram criadas”. (4.11)

Estes dois textos foram louvores apresentados na sala do Trono de Deus, por ocasião da abertura do livro dos sete selos. O segundo texto não lhe pareceu familiar? Ainda no mesmo episódio:

“Tu és digno de receber o livro / e de abrir os seus selos, / pois foste morto, / e com teu sangue compraste para Deus / gente de toda tribo, língua, povo e nação. / Tu os constituíste reino e sacerdotes / para o nosso Deus, / e eles reinarão sobre a terra”. (5.9-10)

“Digno é o Cordeiro / que foi morto / de receber poder, riqueza, sabedoria, força, / honra, glória e louvor!” (5.12). No mesmo episódio ainda, quem ainda não cantou:

“Àquele que está assentado / no trono e ao Cordeiro / sejam o louvor, a honra, / a glória e o poder, / para todo o sempre!” (5.13)

Quando o apocalipse menciona pela primeira vez os 144.000 de Israel, lemos os versos seguintes:

“A salvação pertence / ao nosso Deus, / que se assenta no trono, /e ao Cordeiro”. (7.10)

“Amém! / Louvor e glória, / sabedoria, ação de graças, / honra, poder e força / sejam ao nosso Deus / para todo o sempre. / Amém!” (7.11)

“Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso: eles estão / diante do trono de Deus / e o servem dia e noite / em seu santuário; / e aquele que está assentado no trono / estenderá sobre eles / o seu tabernáculo. / Nunca mais terão fome, / nunca mais terão sede. / Não os afligirá o sol, / nem qualquer calor abrasador, / pois o Cordeiro que está / no centro do trono / será o seu Pastor; / ele os guiará às fontes / de água viva. / E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”. (7.14b-17)

Quando foi tocada a sétima trombeta, houve fortes vozes nos céus que diziam:

“O reino do mundo / se tornou de nosso Senhor / e do seu Cristo, / e ele reinará / para todo o sempre”. (11.15b)

Handel baseou-se nesta referência para a criação do majestoso “Aleluia”. Ainda no mesmo episódio da 7ª trombeta, temos o poema:

“Graças te damos, / Senhor Deus todo-poderoso, / que és e que eras, / porque assumiste / o teu grande poder / e começaste a reinar. / As nações se iraram; / e chegou a tua ira. / Chegou o tempo de julgares / os mortos / e de recompensares / os teus servos, os profetas, / os teus santos / e os que temem o teu nome, /tanto pequenos / como grandes, / e de destruir / os que destroem a terra”. (11.17-18)

No episódio da mulher grávida e o dragão, lemos o poema:

“Agora veio a salvação, / o poder e o Reino / do nosso Deus, / e a autoridade do seu Cristo, / pois foi lançado fora / o acusador dos nossos irmãos, / que os acusa diante / do nosso Deus, dia e noite. / Eles o venceram / pelo sangue do Cordeiro / e pela palavra do testemunho / que deram; / diante da morte, / não amaram a própria vida. / Portanto, celebrem-no, ó céus, / e os que neles habitam! / Mas, ai da terra e do mar, / pois o Diabo desceu até vocês! / Ele está cheio de fúria, / pois sabe que lhe resta / pouco tempo”. (12.1012)

Por ocasião do início das sete taças da ira de Deus e as pragas, lemos o poema (será que não soa familiar?):

“Grandes e maravilhosas / são as tuas obras, / Senhor Deus todo-poderoso. / Justos e verdadeiros / são os teus caminhos, / ó Rei das nações. / Quem não te temerá, ó Senhor? / Quem não glorificará o teu nome? / Pois tu somente és santo. / Todas as nações virão à tua presença / e te adorarão, / pois os teus atos de justiça / se tornaram manifestos”. (15.3b-4)

Após o derramar da terceira taça, ouviu-se o louvor:

“Tu és justo, / tu, o Santo, que és e que eras, / porque julgaste estas coisas; / pois eles derramaram / o sangue dos teus santos / e dos teus profetas, / e tu lhes deste sangue / para beber, / como eles merecem”. E ouvi o altar responder: “Sim, Senhor Deus todo-poderoso, / verdadeiros e justos / são os teus juízos”. (16.5b-7)

O louvor final ocorre anunciando o último casamento, as bodas do Cordeiro (Jesus Cristo) com sua noiva (a Igreja):

“Louvem o nosso Deus, / todos vocês, seus servos, / vocês que o temem, / tanto pequenos como grandes!” (19.5b)

“Aleluia!, / pois reina / o Senhor, o nosso Deus, / o Todo-poderoso./
Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos / e dar-lhe glória! / Pois chegou a hora / do casamento do Cordeiro, / e a sua noiva já se aprontou. /Para vestir-se, foi-lhe dado / linho fino, brilhante e puro”.
(19.6b-8a)

quarta-feira, 31 de março de 2021

18. ACABOU O APOCALIPSE: E AGORA? INTERLÚDIO

“Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (Apocalipse 22.7). 

Entre os capítulos 10 e 14 do Apocalipse acontece um interlúdio, um intervalo na sequência dos conjuntos dos sete (sete selos, trombetas e taças), mais precisamente entre as trombetas e as taças. Oe eventos não foram anteriormente comentados e vamos procurar juntá-los em um único texto.

João é desafiado a pegar um livrinho aberto na mão do anjo e comê-lo: após ter comido o livrinho, João afirma: “Ele me pareceu doce como mel em minha boca; mas, ao comê-lo, senti que o meu estômago ficou amargo”. O anjo então lhe diz: “É preciso que você profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis”.

Outro anjo dá a João ordem para medir o templo de Deus, o altar e contar os adoradores que lá estivessem. Em seguida, aparecem duas testemunhas a quem foi dado poder para testemunharem na cidade santa durante 42 meses, ou 1.260 dias, vestidas de pano de saco. Elas tinham poder: para que não chovesse durante o tempo da profecia; para transformarem a água em sangue; para ferir a terra com pragas. Ao terminarem o testemunho, a besta que vem do Abismo atacará as testemunhas, vai vencê-las e matá-las, ficando os cadáveres expostos na rua principal da grande cidade; durante três dias e meio, gente de todos os povos, tribos, línguas e nações contemplarão os seus cadáveres e não permitirão que sejam sepultados. Haverá grande alegria entre os homens pelas mortes, pois os dois profetas haviam atormentado os que habitam na terra. Após o tempo estipulado, um sopro de vida da parte de Deus soprará neles, fazendo-os ficarem em pé e causando grande terror em quem viu. Eles subirão para os céus numa nuvem e, naquela hora, haverá um forte terremoto: um décimo da cidade ruirá, sete mil pessoas serão mortas no terremoto e os sobreviventes ficarão aterrorizados e darão glória ao Deus dos céus.

Apareceu no céu uma mulher simbolicamente descrita, grávida e em vias de dar à luz. De outro lado, um enorme dragão vermelho, também simbolicamente descrito, colocou-se diante da mulher para devorar o seu filho no momento em que nascesse. Nascido o menino, um homem “que governará todas as nações com cetro de ferro”, ele foi arrebatado para junto de Deus e a mulher fugiu para o deserto, para ser sustentada por Deus por 1.260 dias.

Houve uma guerra nos céus: Satanás, o grande dragão, foi lançado fora do paraíso para a terra. Começou então ele a perseguir a mulher que dera à luz o menino; ela recebeu duas asas para poder voar para o abrigo no deserto; nem um rio de água que a serpente fez jorrar da sua boca conseguiu detê-la. Irado contra a mulher, o dragão saiu para guerrear contra sua descendência, os seguidores de Cristo.

Aparecem duas bestas, uma saindo do mar e outra subindo da terra, ambas simbolicamente descritas. Uma das sete cabeças da primeira besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas ela foi curada. O dragão deu à primeira besta poder, trono e autoridade. A besta falava palavras arrogantes e blasfemas e teve autoridade para agir durante 42 meses. Ela blasfemou contra Deus e amaldiçoou o seu nome e o seu tabernáculo; guerreou contra os santos e os venceu, com autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. Os que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro adorarão a besta. A outra besta, a da terra, tinha dois chifres como cordeiro, mas falava como dragão. Com a autoridade e em nome da primeira besta, ela realizava grandes sinais, fazendo descer fogo do céu à terra à vista dos homens e enganando-os. A segunda besta ordenou que os homens fizessem uma imagem à primeira besta e deu fôlego a ela; a imagem podia falar e matar os que se recusassem a adorá-la. Todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, foram obrigados a receber na mão direita ou na testa certa marca, que é representado por um número de homem: 666.

Aparecem novamente os 144.000 já antes mencionados, juntamente com o Cordeiro, em pé, sobre o monte Sião; eles traziam escritos na testa os nomes do Cordeiro e de seu Pai. Um cântico novo foi entoado diante do trono, o qual somente os 144.000 podiam aprender. Há uma descrição simbólica do grupo.

Finalmente, aparece alguém “semelhante a um filho de homem”, com uma coroa de ouro na cabeça e uma grande foice afiada na mão; um anjo lhe diz que ele deve fazer a colheita, pois a safra da terra está madura. O ser passou sua foice pela terra e ceifou-a. Outro anjo aparece trazendo também uma foice menor afiada e tem ordem de realizar uma segunda colheita, ajuntando os cachos de uva da videira da terra, porque as suas uvas estão maduras. O anjo passou a foice pela terra, ajuntou as uvas e as lançou no grande lagar da ira de Deus; elas foram pisadas no lagar, fora da cidade, e correu sangue do lagar, chegando ao nível dos freios dos cavalos, numa distância de cerca de trezentos quilômetros.

Após toda essa rápida exposição, muitas perguntas devem ter surgido, como por exemplo: Por que João teve que comer o livrinho? Afinal, quem são as duas testemunhas? Que representam a mulher grávida e seu filho? Que simbolizam as duas bestas, a do mar e a da terra? Que representam as duas colheitas do final do texto? Nossa tentativa de entender o Apocalipse termina aqui, mas esperamos que todas as dúvidas levem os leitores a procurarem ler o livro na íntegra, bem como comentários a seu respeito. Existem bênçãos reservadas para quem assim o fizer. Eu já as estou recebendo; e você?

terça-feira, 30 de março de 2021

17. HÁ DE ACONTECER: NOVA JERUSALÉM


“Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado, e o mar já não existia. Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém... (Apocalipse 21.1-2a)

O final do denso texto anterior declara que “a terra e o céu já não mais existiam e o lago de fogo recebeu a morte e o Hades, pois não havia mais necessidade deles”. O presente texto nos leva finalmente para a renovação de todas as coisas, começando pela Nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, “preparada como uma noiva adornada para o seu marido”

Uma forte voz foi ouvida do trono dizendo: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá; eles serão o seu povo, o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus; ele enxugará dos seus olhos toda lágrima: não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”. Deus afirma estar fazendo novas todas as coisas, em palavras “verdadeiras e dignas de confiança”.

Assim afirmou “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”: Quem tiver sede, beberá gratuitamente da fonte da água da vida; “o vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho”. Um alerta aos que não se arrependem: “os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos” terão lugar no lago de fogo que arde com enxofre. “Esta é a segunda morte”, a morte espiritual.

Um dos sete anjos das últimas pragas levou João em Espírito a um grande e alto monte e mostrou-lhe a Cidade Santa, Jerusalém, “que descia dos céus, da parte de Deus”. A descrição da cidade é bastante simbólica: Ela resplandecia com a glória de Deus, seu brilho era como o de uma joia muito preciosa; era cercada de um grande e alto muro, com doze portas e doze anjos junto a elas; nelas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel; havia três portas em cada um dos quatro lados da cidade. Doze fundamentos serviam de base para o muro da cidade e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. Nas doze portas e nos doze fundamentos dos muros, Israel e a Igreja estão representados.

Uma vara feita de ouro foi usada para medir a cidade, suas portas e seus muros. Ela era quadrangular, com comprimento e largura iguais; foram medidos dois mil e duzentos quilômetros de comprimento, de largura e de altura: as medidas revelaram um cubo, logicamente simbólico. O muro mediu sessenta e cinco metros de espessura, simbolicamente feito de jaspe, sendo a cidade de ouro puro, semelhante ao vidro puro. Pedras preciosas ornamentavam os fundamentos dos muros da cidade: jaspe, safira, calcedônia, esmeralda, sardônico, sárdio, crisólito, berilo, topázio, crisópraso, jacinto e  ametista. Cada uma das doze portas era feita de uma única pérola. A rua principal da cidade era de ouro puro, como vidro transparente.

Não havia templo algum na cidade, pois o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro são o seu templo.  Não são necessários sol e lua, pois a glória de Deus a ilumina e o Cordeiro é a sua candeia.  Nações e reis lhe entregarão a sua glória. “Suas portas jamais se fecharão de dia, pois ali não haverá noite”. Jamais entrará nela algo impuro ou alguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, “mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro”.

O rio da água da vida, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, cujas folhas servem para a cura das nações, com doze frutos por ano. Não haverá mais maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão; eles verão a sua face e o seu nome estará em suas testas. O Senhor Deus será a sua luz e eles reinarão para todo o sempre.

Finalizando a profecia, o anjo reafirma que as palavras ditas por ele são dignas de confiança e verdadeiras, sendo que o Deus dos espíritos dos profetas o havia enviado para mostrar as coisas que em breve hão de acontecer. “Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”. João novamente é levado a adorar o anjo diante da grandeza da profecia, e volta a ser advertido: “Não faça isso! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!”

As palavras da profecia deste livro não devem ser seladas, “pois o tempo está próximo”. Enquanto isso, que o pecador continue pecando e que o santo continue a santificar-se. Como mensagem final, Jesus reitera sua breve volta, retribuindo a cada um de acordo com o que fez: os que lavaram suas vestes têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas; os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira ficam de fora. Jesus, a Raiz e o Descendente de Davi, a resplandecente Estrela da Manhã, enviou o seu anjo para dar a todos este testemunho concernente às igrejas. Há, porém, uma advertência: “Se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro.  Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro.

Diante de tanta grandeza de promessa e de esperança, juntamo-nos a João na oração final: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus!” Maranata!

segunda-feira, 29 de março de 2021

16. HÃO DE ACONTECER: JULGAMENTO E CONSEQUÊNCIAS

“Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e livros foram abertos. Outro livro foi aberto, o Livro da Vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros” (Apocalipse 20.12). 

Os livros que serão abertos no julgamento de Deus contêm o que os seres humanos têm feito em sua vida terrena; o outro livro aberto, o Livro da Vida, registra o nome dos salvos por Cristo. 

Este é um texto bastante diversificado. Apocalipse 19.5-21 e o capítulo 20 é um texto bíblico que aborda uma meia dúzia de temas diferentes, todos ligados ao Juízo Final de Deus sobre a humanidade. Vamos aos temas.

Uma voz surge do trono, conclamando os servos de Deus, tanto pequenos como grandes, a louvarem ao Criador. Uma grande multidão então bradou: “Aleluia, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro”. O verso termina dizendo que o linho fino representa os atos justos dos santos. Em muitos momentos, a Igreja é chamada no Novo Testamento de “a noiva de Cristo”. Chegou finalmente o momento do casamento, ou seja, da junção de Cristo com os seus seguidores, no grande banquete do casamento do Cordeiro, para felicidade dos convidados. A parábola contada por Jesus diz que, entre dez virgens, cinco entraram porque suas lamparinas tinham azeite, e cinco perderam a festa. Você, cristão, tem procurado manter sua lamparina acesa?

Nos céus abertos surge então, diante de João, “um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro”, o qual julga e guerreia com justiça. Sua descrição simbólica revela olhos são como chamas de fogo, muitas coroas em sua cabeça e um nome que só ele conhece, e ninguém mais; ele se veste com “um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus”. O cavaleiro se faz acompanhar de “exércitos dos céus vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos”. Sai de sua boca “uma espada afiada, com a qual ferirá as nações”“Ele as governará com cetro de ferro,” pisando “o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso”. “Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”.

Um anjo que estava em pé no sol clamava em alta voz a todas as aves que voavam pelo céu: “Venham, reúnam-se para o grande banquete de Deus, para comerem carne de reis, generais e poderosos, carne de cavalos e seus cavaleiros, carne de todos – livres e escravos, pequenos e grandes”. A besta, os reis da terra e os seus exércitos estavam reunidos para guerrearem contra o cavaleiro do cavalo branco e seu exército. “Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais miraculosos em nome dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”. Os demais foram mortos com a espada que saía da boca do cavaleiro, “e todas as aves se fartaram com a carne deles”.

Um anjo com a chave do Abismo e uma grande corrente prendeu o dragão (a antiga serpente, o Diabo, Satanás) e o acorrentou por mil anos; lançou-o no Abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações, até que terminasse o milênio. Ele será solto por pouco tempo depois disso.

João vê então tronos em que se assentaram os que têm autoridade para julgar. Ele avista também as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, que não tinham adorado a besta nem a sua imagem nem tinham recebido a sua marca na testa ou nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos (foi a primeira ressurreição). O restante dos mortos somente será ressuscitado após o milênio.  Os que participam da primeira ressurreição são felizes e santos, pois a segunda morte (morte espiritual) não tem poder sobre eles. Eles serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos.

No final do milênio, Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar todas as nações da terra, bem como a Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. No livro de Ezequiel, Gogue e Magogue são nomes simbólicos dados às nações que se rebelam contra Deus e são hostis ao seu povo. O número de integrantes desse exército é incontável como a areia do mar. Na batalha, as nações marcharam por toda a superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada, mas um fogo desceu do céu e as devorou. Satanás, o enganador, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta; eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.

Acontece finalmente o julgamento de Deus diante do grande trono branco. A terra e o céu já não mais existiam. Os que haviam morrido, grandes e pequenos, estavam em pé diante do trono. O mar, a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia e livros foram abertos. Foi também aberto o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros. O lago de fogo recebeu aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida, bem como a morte e o Hades: não havia mais necessidade deles, pois finalmente a morte fora tragada na vitória.

domingo, 28 de março de 2021

15. HÃO DE ACONTECER: QUEDA DA GRANDE CIDADE

“Depois disso vi outro anjo que descia dos céus. (...) E ele bradou com voz poderosa: ‘Caiu! Caiu a grande Babilônia!’” 

(Apocalipse 18.1-2)

Após o sétimo anjo ter derramado a sua taça no ar provocando grande cataclismo na terra e anunciando a chegada do julgamento divino, no capítulo 16, um dos anjos disse a João: “Venha, eu lhe mostrarei o julgamento da grande prostituta...” Levado pelo Espírito ao deserto, João viu uma mulher montada numa besta vermelha; a besta estava coberta de nomes blasfemos e tinha sete cabeças e dez chifres. A mulher vista por João é outro símbolo, vestida de azul e vermelho, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas, segurando um cálice de ouro, cheio de coisas repugnantes e da impureza da sua prostituição e com uma inscrição em sua testa: “Mistério: Babilônia, a grande mãe das prostitutas e das práticas repugnantes da terra”. Ela se mostra “embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus”.

O anjo explicou a João o mistério da mulher e da besta. As sete cabeças são sete colinas, mas também são sete reis: cinco já passaram, um ainda existe e o outro ainda não surgiu e, quando surgir, permanecerá por pouco tempo. A besta que era, e agora não é, é o oitavo rei e caminha para a perdição. Dez chifres representam dez reis que ainda não receberam autoridade como reis, mas que a receberão junto com a besta por pouco tempo. Guerrearão contra o Cordeiro, ele e os seus fiéis os vencerão. As águas são povos, multidões, nações e línguas. A besta e os dez chifres odiarão a prostituta: eles a levarão à ruína e a deixarão nua, comerão a sua carne e a destruirão com fogo, pois este é o propósito de Deus. A mulher é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.

Depois disso, João viu outro anjo que descia dos céus bradando com voz poderosa: “Caiu! Caiu a grande Babilônia!” A seguir, em linguagem poética, o anjo mostrou a João primeiramente a decadência espiritual da grande cidade: tudo o que é imundo, impuro e detestável foi por ela abrigado, prostituindo espiritualmente todas as nações, bem como seus reis. Uma voz dos céus alertou os cristãos para que saíssem da cidade para não participarem do seu pecado e não serem atingidos pelas pragas. Em um só dia, morte, tristeza e fome alcançarão a grande cidade e o fogo a consumirá. Os reis da terra, por ela corrompidos, chorarão e se lamentarão, mas ficarão de longe com medo tormento.

Os negociantes da terra chorarão e se lamentarão porque ninguém mais compra a sua mercadoria: joias, tecidos finos e caros, peças de madeira, de marfim, de bronze, ferro e mármore, canela e especiarias, incenso, mirra e perfumes, vinho, azeite de oliva, farinha fina e trigo, bois e ovelhas, cavalos e carruagens fazem parte das perdas econômicas. Nos transportes marítimos, pilotos, passageiros, marinheiros dos navios e os que ganham a vida no mar ficarão de longe, lamentando-se e chorando. Nas atividades comuns das grandes cidades, nunca mais se ouvirá em seu meio o som dos harpistas, músicos, flautistas e tocadores de trombeta; nunca mais haverá artífice algum, de qualquer profissão; não mais se ouvirá em seu meio o ruído das pedras de moinho; a luz da candeia não brilhará mais dentro de seus muros, nem se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva. A grandeza dos mercadores, a sedução das nações por suas feitiçarias e principalmente o sangue de profetas, de santos nela encontrado foram seus grandes pecados.

Houve regozijo nos céus, onde uma grande multidão iniciou um grandioso louvor, louvando salvação, glória e poder que pertencem a Deus e seus verdadeiros e justos juízos.

Envolto em grande simbolismo de linguagem, esta é a queda da grande cidade, chamada nesta passagem apocalíptica de Babilônia, mas já denominada profeticamente no Apocalipse de Roma, Egito e Sodoma. O que representa a queda da grande cidade? Há muitas interpretações, mas talvez a mais comum seja a identificação da cidade com Roma pelas sete colinas, tanto Roma Imperial quanto a Eclesiástica. Pessoalmente, creio que a grande cidade destruída refere-se à queda da civilização humana como um todo, principalmente no que diz respeito à perseguição aos profetas e à igreja, e principalmente pelo pecado e desvio de sua rota dos caminhos do Senhor. A geração de Caim, que tanto desenvolvimento criou, fundando cidades e lidando com tendas, rebanhos, instrumentos musicais e ferramentas de bronze e ferro (segundo os capítulos iniciais de Gênesis), também introduziu novos pecados no mundo, como a bigamia. Ela reflete toda a concupiscência humana, a busca do homem pelo prazer, a sedução do pecado. No início de Gênesis, depois que os filhos de Deus buscaram as filhas dos homens, Deus viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.  Deus se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, vindo em decorrência disso o dilúvio. O “dilúvio” final, não mais com água, mas com as pragas da ira de Deus sobre a humanidade, está próximo. Será o fim da história humana, da terra e do universo como o conhecemos. Então teremos novo céu e nova terra. 

sábado, 27 de março de 2021

14. HÃO DE ACONTECER: 7 TAÇAS

“Vi no céu outro sinal, grande e maravilhoso: sete anjos com as sete últimas pragas, pois com elas se completa a ira de Deus” (Apocalipse 15). 

Abertas e reveladas pelos selos, anunciadas pelas trombetas, chegam finalmente as sete taças da ira de Deus, contendo as últimas pragas como parte do julgamento final. Antes do derramamento do conteúdo das taças, os que tinham vencido a besta, a sua imagem e o número do seu nome entoam a Deus o Cântico de Moisés e o Cântico do Cordeiro:

“Grandes e maravilhosas / são as tuas obras, / Senhor Deus todo-poderoso. / Justos e verdadeiros / são os teus caminhos, / ó Rei das nações. / Quem não te temerá, ó Senhor? / Quem não glorificará o teu nome? / Pois tu somente és santo. / Todas as nações virão à tua presença / e te adorarão, / pois os teus atos de justiça / se tornaram manifestos”.

Abre-se nos céus o Tabernáculo da Aliança e dele saem os sete anjos com as sete pragas. Com toda a solenidade, na presença de Deus e de todos os que estavam na sala do trono, uma forte voz vinda do santuário dizia aos anjos: “Vão derramar sobre a terra as sete taças da ira de Deus”.

O primeiro anjo derramou a sua taça pela terra, e abriram-se feridas malignas e dolorosas naqueles que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem.

O segundo anjo derramou a sua taça no mar, transformando-o em sangue como de um morto e matando toda criatura que vivia no mar.

“O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes, e eles se transformaram em sangue”. Após a terceira taça ser derramada, ouviu-se um anjo com autoridade sobre as águas dizer: “Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste estas coisas; pois eles derramaram o sangue dos teus santos e dos teus profetas, e tu lhes deste sangue para beber, como eles merecem”. Exercendo seu justo juízo, Deus estava punindo o derramamento do sangue dos seus servos e atendendo as almas daqueles que estavam sob o altar, na abertura do quinto selo.

O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e ele queimou os homens com fogo. Mesmo sofrendo justo castigo, os homens amaldiçoaram o nome de Deus; contudo, recusaram arrepender-se e glorificá-lo.

O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, deixando seu reino em trevas. Por causa de tanta agonia causada por suas dores e feridas, os homens mordiam a própria língua e blasfemavam contra o Deus dos céus; contudo, não se arrependeram das obras que haviam praticado.

“O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas para que fosse preparado o caminho para os reis que vêm do Oriente”. João viu saírem da boca do dragão, da besta e do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs: eram espíritos de demônios, que realizam sinais miraculosos. Serão eles que irão aos reis de todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso. Então, os três espíritos os reunirão no lugar que, em hebraico, é chamado Armagedom.

Finalmente, o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu do santuário uma forte voz que vinha do trono, dizendo: “Está terminado!” Relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto aconteceram em seguida. O terremoto foi o mais forte desde que o homem existe sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes e as cidades das nações se desmoronaram. A grande Babilônia começou a beber o cálice do vinho do furor da ira de Deus. Todas as ilhas e montanhas desapareceram. Vindas do céu, caíram sobre os homens enormes pedras de granizo, de cerca de trinta e cinco quilos cada um. Houve blasfêmia contra Deus por causa do granizo, pois a praga foi terrível, mas os homens não se arrependeram do seu pecado.

Até agora, vimos quatro conjuntos de sete elementos do livro de Apocalipse: os sete castiçais, representando as sete igrejas da Ásia receptoras das cartas; os sete selos, que lacraram e preservaram a mensagem divina dos últimos dias, abertos e revelados pelo Cordeiro; as sete trombetas, anunciando a chegada do juízo e a punição de Deus por causa do pecado do homem; as sete taças contendo as pragas de Deus sobre a terra, sobre a humanidade, e fazendo acontecer o julgamento de Deus. A queda da grande Babilônia, já anunciada anteriormente, será o tema do nosso próximo texto.   

13. HÃO DE ACONTECER: 7 TROMBETAS

 

“Quando ele abriu o sétimo selo, houve silêncio nos céus cerca de meia hora. Vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus; a eles foram dadas sete trombetas” (Apocalipse 8 1-2).

O livro selado registrou os segredos de Deus até a época de João. Os sete selos os lacraram e preservaram para a hora oportuna. Os selos abertos revelaram os acontecimentos do final dos tempos. É hora agora de anunciá-los, através das sete trombetas.

Após o oferecimento das orações dos santos sobre o altar diante do trono, representados por um incensário de ouro com muito incenso, um anjo “pegou o incensário, encheu-o com fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto”.

Inicia-se então o toque das trombetas. “O primeiro anjo tocou a sua trombeta, e granizo e fogo misturado com sangue foram lançados sobre a terra”. Um terço da terra, das árvores e toda a relva verde se queimou.

O segundo anjo tocou a trombeta, “e algo como um grande monte em chamas foi lançado ao marUm terço do mar transformou-se em sangue, morreu um terço das criaturas do mar e foi destruído um terço das embarcações”.

Ao toque da trombeta do terceiro anjo, caiu do céu uma grande estrela chamada Absinto, queimando como tocha sobre um terço dos rios e das fontes de águas. Um terço das águas tornou-se amargo e muitos morreram por causa disso.

O quarto anjo, ao tocar sua trombeta, atingiu e escureceu um terço do sol, da lua e das estrelas, deixando um terço do dia e da noite sem luz. Notem que, até aqui, apenas o firmamento e a natureza foram atingidos, tendo as pessoas sido poupadas, não sendo diretamente atingidas, a não ser aquelas que estavam nas embarcações ou que tomaram das águas amargas. Uma águia que por ali voava dizia em alta voz: “Ai, ai, ai dos que habitam na terra, por causa do toque das trombetas que está prestes a ser dado pelos três outros anjos!”

Quando o quinto anjo tocou a sua trombeta, uma estrela que havia caído do céu sobre a terra (talvez Absinto) recebeu a chave do poço do Abismo. Quando o Abismo se abriu, subiu dele fumaça como a de uma gigantesca fornalha, que escureceu o sol e o céu. “Da fumaça saíram gafanhotos que vieram sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da terra.  Eles receberam ordens para não causar dano nem à relva da terra, nem a qualquer planta ou árvore, mas apenas àqueles que não tinham o selo de Deus na testa.  Não podiam matá-los, mas causar-lhes tormento durante cinco meses. Os gafanhotos são simbólicos e assim são descritos: pareciam cavalos preparados para a batalha, tinham coroas de ouro sobre a cabeça, seu rosto parecia humano, seus cabelos eram como os de mulher e seus dentes como os de leão. Usavam couraças de ferro e o som das suas asas era parecia o barulho de muitos cavalos e carruagens correndo para a batalha. Em suas caudas tinham ferrões como de escorpiões, com poder para causar tormento aos homens durante cinco meses. Havia um rei sobre eles, o anjo do Abismo, chamado Abadom em hebraico e Apoliom em grego. Embora fossem gafanhotos, a agonia que os homens sofreram era como a da picada do escorpião. Á semelhança do sexto selo, quando as pessoas se esconderam em cavernas e rochas das montanhas rogando para que as cobrissem e matassem, naqueles dias os homens procurarão a morte, mas não a encontrarão, desejarão morrer, mas a morte fugirá deles. Conforme anunciado pela águia, este foi o primeiro “ai”, o primeiro sofrimento, restando mais dois.

O toque da trombeta do sexto anjo anunciou o aparecimento de uma voz vinda do altar de ouro divino, dizendo ao anjo que tinha a trombeta: “Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates”. Os quatro anjos, preparados para aquele momento, foram soltos para matar um terço da humanidade. Na introdução do número 144.000, referente ao Reino de Israel, quatro anjos foram colocados em pé nos quatro cantos da terra para “impedir que qualquer vento soprasse na terra, no mar ou em qualquer árvore”. O vento ali representava a ira de Deus que cairia sobre a humanidade. No final do capítulo 9, são novamente mencionados os anjos e, para matarem um terço da humanidade, muita gente, é mencionado um exército cujo número de integrantes é ouvido por João: duzentos milhões. Também neste momento da visão profética, a descrição de cavalos e cavaleiros do exército é simbólica: couraças vermelhas como o fogo, azuis como o jacinto, e amarelas como o enxofre; cabeça dos cavalos parecendo a um leão; da boca lançavam fogo, fumaça e enxofre. O poder dos cavalos estava na boca e na cauda, que eram como cobras e feriam as pessoas. O resultado disso foi a morte de um terço da humanidade por causa do fogo, da fumaça e do enxofre que saíam das suas bocas. É melancólico o final do capítulo: o restante da humanidade que não morreu por essas pragas, mas nem assim se arrependeu das obras das suas mãos, não parando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, ídolos que não podem ver, nem ouvir, nem andar. “Também não se arrependeram dos seus assassinatos, das suas feitiçarias, da sua imoralidade sexual e dos seus roubos”. Há alguma semelhança com a reação da humanidade hoje, nos dias de pandemia?

A sétima trombeta somente será tocada no final do capítulo 11, anunciando a chegada das sete taças contendo as pragas da ira de Deus.

23. DA VELHA BABILÔNIA À NOVA JERUSALÉM

  “Nabucodonosor levou para o exílio, na Babilônia, os remanescentes (...) para serem seus escravos...” (2 Crônicas 36.20) “Então vi novo...